Tem vezes que tudo o que a gente precisa é de uma dose de energia.

Beach Slang é uma banda da Filadélfia (Pensilvânia, EUA) formada em 2013 que começou a fazer barulho com o EP Who Would Ever Want Anything So Broken?, do ano passado. No EP, eles estabeleceram uma fórmula que vamos chamar aqui de “punk da lamentação”: aqueles três ou quatro acordes frenéticos formam um som uniforme que carrega letras sobre desventuras da juventude e conflitos emocionais internos e externos. Essa fórmula volta com força total em The Things We Do to Find People Like Us, álbum de estreia do quarteto, e ganha alguns retoques.

Em menos de 27 minutos, o vocalista James Alex fala sobre se sentir vivo, ser jovem, estragar tudo e repetir. “Throwaways” é uma introdução básica, com pouco mais de dois minutos de guitarras pavimentando o caminho para a voz trovejante de James. Já com 40 anos, ele soa ter a metade – as palavras difíceis de entender só dão mais ênfase ao aspecto emocional e instintivo do disco.

O single “Bad Art & Weirdo Ideas” brinca com o meio-termo das coisas, com versos como “fodido demais para amar / mas muito calmo para odiar” alternando com coros de “ah ah ah” e “doo doo doo” e conferindo um teor nostálgico à faixa. É por aqui que a qualidade da produção começa a saltar aos ouvidos: os instrumentos não sufocam uns aos outros, mas há a quantidade certa de ‘descuido’ na mixagem, permitindo um som mais orgânico do que se espera de um disco de punk e menos polido do que um de pop rock.

A banda faz de tudo para que o ouvinte se sinta parte de um grupo metafórico de amigos bêbados, jovens e bastante vivos, e alcança esse objetivo em músicas como “Noisy Heaven”, “Ride the Wild Haze” e “I Break Guitars”. A balada “Too Late to Die Young” serve como uma pausa antes da segunda rodada, mas o piano e as cordas orquestrais dão uma beleza peculiar à rouquidão do vocalista ao exclamar o lema de “jovem demais para morrer / tarde demais para morrer jovem”. Embora curta, é um de três momentos do disco nos quais o conteúdo lírico se faz tão interessante quanto o instrumental.

Os outros dois são justamente os que seguem “Too Late to Die Young”: “Porno Love” e seu único verso esbarram no shoegaze, enquanto a convenientemente intitulada “Young & Alive” flerta de leve com o grunge. A decisão de encerrar o disco com “Dirty Lights” se mostra sábia: são três minutos que resumem a obra toda, e a música que melhor demonstra os pontos fortes (e até fracos) do Beach Slang.

The Things We Do to Find People Like Us é um dos álbuns mais cheios de vida dos últimos anos, e é dessa forma que ele demanda respeito e atenção de quem se dispõe a elogiá-lo ou a criticá-lo.

Quem pende à segunda opção deve observar o alcance limitado da voz de James Alex e a pouca variedade sonora do disco; já para elogiar, basta perceber que um álbum tão enérgico como este dispensa os comentários técnicos. Acho que vamos optar pelo elogio.