Horace Green - Jazz Depois da Meia-Noite
 

A banda paulistana Horace Green, formada em 2010, conta com um time de músicos ligados a outros nomes da cena independente local e está lançando um novo disco de estúdio chamado Jazz Depois da Meia-Noite.

O título do álbum foi inspirado na expressão “Jazz After Midnight”, jargão dos músicos do clube de Jazz para a hora do improviso, a famosa JAM:

“Teve uma época em que ensaiávamos das 23 à 01h, e sempre que passava da 00:30 dizíamos que tinha virado Jazz, pois ninguém mais se importava com o ensaio técnico e entre covers e brincadeiras fazíamos músicas novas”, explica o vocalista Shamil Silva.

Musicalmente a banda tem como base estilos como o punk e o hardcore, mas há diversas nuances em sua sonoridade e nas letras do trabalho, que flertam entre o amor e o ódio com resultados que impressionam.

É com muito prazer que o Tenho Mais Discos Que Amigos! promove a estreia de Jazz Depois da Meia-Noite, novo disco do Horace Green lançado pela Hearts Bleed Blue.

Divirta-se com o player e o faixa a faixa logo abaixo.

 

CHÃO: Apesar de sempre termos focado nossas letras em questões mais coletivas, essa música que abre o disco fala sobre relacionamentos pessoais, desgastes e frustrações, que somados a tudo que a vida tem de difícil por si só, poderiam ser motivos pra desistir de muita coisa. No entanto, sempre tem algo que nos faça encarar isso tudo mesmo que nos machuquemos de vez em quando.

VEO: Essa música fala sobre a exploração globalizada, onde consumimos tantas coisas sem ao menos nos importarmos com a quantidade de pessoas que são exploradas para que o custo seja baixo e o lucro maior.

GASOLINA: É um desabafo sobre como a gente gasta tempo, dinheiro e esforço simplesmente porque amamos o que fazemos. No fim das contas, vale a pena viajar 15 horas, passando mal, cansados, pra fazer um show em um lugar pequeno e abafado, se tiver uma única pessoa se importando com o que temos a dizer. Esse som é o único do disco que tem participações de amigos, com o Diego (CHCL) e o Erick (Blear) gritando junto com a gente.

ALPHA: A sociedade brasileira, apesar da evolução que tivemos em alguns campos, está cada vez mais patriarcal, sexista e machista. Temos consciência que, como 4 homens, seremos no máximo machistas em desconstrução, mas reconhecemos o sofrimento das mulheres perante tanta barbaridade, e o quão inaceitável é quando esses comportamentos se reproduzem dentro do meio punk.

MONSTROS: A letra dessa música surgiu depois de lermos um pouco sobre violência infantil e como isso pode afetar a vida daquela pessoa. Muitas conseguem superar esses traumas, mas isso não é fácil, e acreditamos que qualquer apoio para essa superação é válido.

AZUL: Música de despedida a pessoas que foram embora mais cedo do que gostaríamos, e sobre como é importante aproveitar cada segundo antes que seja tarde. A vida é frágil demais e nem sempre nos damos conta disso.

SEM DEUSES, SEM MESTRES E SEM GÊNERO: As religiões mais dominantes demonizam a homossexualidade, fazendo com que muita gente desinformada ou mal intencionada propague a violência, tanto física quanto psicológica, sem motivo, contra qualquer distinção de gênero que fuja do padrão da família tradicional.

SEM HERÓIS, SEM MEDALHAS E SEM FUTURO: Criamos expectativas em cima de ídolos que muitas vezes vestem um personagem, mas no fundo são só pessoas normais, suscetíveis a falhas. Algumas delas se recusam a abrir mão desse personagem, que por vezes já perdeu pro tempo a relevância que tiveram, e acabam decepcionando muitos a sua volta.

ULTRASSOM: É uma música positiva que fala sobre querer ser sempre uma pessoa melhor, e o impacto que certas coisas na vida – como ter uma banda, conhecer pessoas, e ultimamente para o Shamil, ser pai – injetam mais combustível nessa nossa vontade.

MIRANTE: Pra fechar o disco decidimos fazer uma letra de agradecimento para as pessoas que nos guiam. São nossos mirantes, nossas bases. O Clayton escreveu para sua esposa, porém cabe para todos nós também.