Os anos 2000 começaram com um subgênero controverso do rock que atingiu o mainstream de forma contundente e alçou alguns nomes para o sucesso da noite pro dia.

O chamado “nu metal” era visto pelo público em geral como um estilo pesado que misturava os riffs do heavy metal com rap e hip hop, mas muita gente do próprio metal desdenhava da classificação.

Gostos à parte, é impossível falar sobre a história do rock recente sem citar o estilo e nomes como KoRn e Limp Bizkit, que eram ícones do nu metal e estavam na crista da onda no final dos anos 90 e início dos anos 2000.

Em 1999, o KoRn lançou seu quarto disco de estúdio, Issues, sucessor do elogiado Follow The Leader e responsável pela manutenção da banda na TV e nas rádios com hits como “Falling Away From Me” e “Somebody Someone”.

Já a banda de Fred Durst lançou a dupla Significant Other em 1999 e Chocolate Starfish And The Hot Dog Flavored Water em 2000 e catapultou hits como “Nookie”, “Break Stuff”, “Re-Arranged”, “Take A Look Around”, “My Way”, “Rollin” e tantos outros.

Eis que em 2000 surge também o álbum de estreia de uma outra banda do gênero que apostava menos em berros sujos e mais no hip hop, batidas eletrônicas e linhas vocais competentes na forma de Hybrid Theory.

O primeiro disco de estúdio do Linkin Park é uma referência às origens do grupo, que iniciou seus trabalhos em 1996 na região de Los Angeles quando Mike Shinoda, Rob Bourdon e Brad Delson se reuniram para compor. Após utilizar o nome Xero, a banda optou justamente por ser conhecida como Hybrid Theory, nome que carregou até 1999 quando passou por significativas mudanças na formação e já tinha Chester Bennington como vocalista.

Hybrid Theory,  o álbum, veio em 2000 através de um contrato com a major Warner Bros. e foi um dos maiores sucessos do ano, chegando a estar na posição de número 2 da principal parada da Billboard.

O disco vendeu mais de 10 milhões de cópias, tem certificado de Diamante e fala em boa parte sobre temas complexos da vida de Bennington, como uso de drogas e o divórcio de seus pais, em letras escritas em conjunto pela banda.

Boa parte do sucesso do álbum aconteceu de forma tão explosiva porque o grupo soube como ninguém adaptar o nu metal para públicos mais amplos, mantendo o peso do estilo mas dosando, na medida certa, rap e vocais limpos que soavam muito bem nas grandes rádios dos Estados Unidos e mundo afora.

A música eletrônica também se faz presente como um diferencial e o caldeirão do Linkin Park se formou no primeiro álbum rendendo em um prato cheio para quem estava, ao mesmo tempo, ouvindo expoentes da cena mas procurava por um novo ícone.

Influências

Vale destacar aqui que a mistura de influências fez do Linkin Park um grupo bastante singular e isso refletiu na sonoridade que conquistou tantos fãs.

Chester Bennington, por exemplo, entrou na banda depois de tocar em uma banda grunge onde mostrava sua preferência por nomes como Stone Temple Pilots, que estão bem longe do nu metal (tanto que hoje ele é o vocalista do grupo).

O guitarrista Brad Delson nunca escondeu que nomes do post-hardcore como Refused, At The Drive-In e Helmet o influenciaram, e somando isso a traços do estilo que carimbou o Linkin Park em início de carreira, conseguiu aliar as influências dos importantes riffs desses nomes com os de outros como Deftones, por exemplo.

Ele chegou inclusive a dizer que a banda vinha trabalhando em demos e canções há um bom tempo e percebeu que cada vez mais bandas estavam misturando rap com rock e tendo sucesso, então veio a ideia de ser a melhor banda fazendo aquilo para se destacar entre os outros. A produção voltada às rádios contribuiu bastante para que, mesmo quem não ache o grupo o melhor do gênero, o veja como símbolo de uma época.

Ao lançar o disco The Hunting Party, em 2014, Mike Shinoda chegou a dizer que sem as bandas citadas acima, “o Linkin Park não existiria”, e já dá para sentir logo no primeiro disco que, pelo menos para as guitarras, a abordagem trazia muito do gênero.

E por falar em Shinoda, além de vocais e rap nas canções, ele também tocou guitarra e teclado no álbum da banda que fundou, sendo fundamental na organização de elementos vindos de todos os lados.

 

Hybrid Theory

Ao final das contas, Hybrid Theory é um disco de rock com forte apelo popular que tinha a cara dos anos 2000, quando o gênero se fazia presente no mainstream.

Discussões sobre gostos particulares à parte, o disco moldou uma banda que está na ativa até hoje e que esperou três anos para lançar o sucessor de um álbum que lhe rendeu muito mais do que o esperado.

Quando Meteora veio em 2003, o Linkin Park soube aproveitar a base do seu disco de estreia para produzir mais uma série de hits e entrar para a história como o disco de música alternativa mais bem sucedido das paradas oficiais em todos os tempos.

O primeiro disco entrou para listas importantes de veículos como a revista Classic Rock, que o colocou na posição de 72 entre os 100 melhores álbuns de rock de todos os tempos e o Hall da Fama do Rock And Roll colocou Hybrid Theory na posição de 84 entre os “200 discos definitivos”.

Foi um belo início para o Linkin Park que fez impressionantes 324 shows em 2001 e não deixou-se abater com o sucesso massivo que acaba com muitos grupos em início de carreira.

Além dos singles “One Step Closer”, “Crawling”, “Papercut” e “In The End”, outras músicas do álbum se tornaram favoritas dos fãs, como “Points Of Authority”, “Runaway” e “A Place For My Head”, o que fez do álbum um daqueles trabalhos que agradam como um pacote completo, para ouvir sem pular nenhuma faixa.

Hoje, dia 24 de Outubro de 2015, Hybrid Theory está completando exatos 15 anos desde o seu lançamento.

     
 
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