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Até 1991 a palavra “Lollapalooza”, que significa “algo extraordinário ou fora do comum”, era pouquíssimo conhecida lá fora e aqui no Brasil, só tornou-se sinônimo de festa há alguns poucos anos.

Fundado há 24 anos por Perry Farrell, o festival que tornou-se um dos maiores e mais importantes do planeta foi concebido para que a banda do cara, o Jane’s Addiction, pudesse realizar uma turnê de despedida.

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Farrell se inspirou no Gathering Of The Tribes, organizado por Ian Astbury (The Cult) e decidiu que o seu evento iria rodar a América do Norte.

Pouca gente sabe, mas quando começou, o Lollapalooza era um festival itinerante. A primeira edição, por exemplo, aconteceu de 18 de Julho a 28 de Agosto e teve artistas como Siouxsie & The Banshees, Nine Inch Nails, Butthole Surfers, Rollins Band e Violent Femmes.

Além de ter uma plataforma para o Jane’s Addiction, o Lollapalooza era visto por Farrell como um lugar para que artistas de gêneros alternativos que lhe agradavam pudessem mostrar seus trabalhos.

Outro ponto importante é que desde a primeira edição o organizador se preocupou em mesclar a música com outras ações, como artistas de circo, ativistas, tatuadores, espaços para leituras e mais.

No início dos anos 90 a explosão do rock alternativo principalmente na forma do grunge fez com que o festival crescesse junto e aproveitasse o embalo: logo no segundo ano de existência, em 1992, o Lollapalooza contou com um line-up de peso que tinha Red Hot Chili Peppers, Soundgarden, Pearl Jam, The Jesus And Mary Chain, Cypress Hill, Stone Temple Pilots e mais.

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No início da década, a visibilidade do festival e a sua importância, bem como a liberdade para que diversos temas fossem debatidos, trouxe um dos primeiros momentos icônicos da história do evento: o Rage Against The Machine, que havia tocado um ano antes como atração do palco alternativo, ganhou destaque no palco principal em 1993, e aproveitou um dos shows para protestar.

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Na época, autoridades dos Estados Unidos estavam criando o infame selo “Parental Advisory”, colocado nas capas de todos os discos que tinham “conteúdo impróprio”.

No dia 18 de Julho de 1993, os quatro integrantes do Rage Against The Machine subiram nus ao palco, cada um com uma letra do PMRC (comitê fundado por Tipper Gore justamente para censurar a música) pintada no corpo e fitas adesivas cobrindo a boca.

A banda ficou parada no palco por 15 minutos, apenas com barulhos de guitarra como “trilha sonora”, e o que foi celebrado por fãs no início, tornou-se um tumulto, já que as pessoas começaram a reclamar pois queriam ouvir o som do RATM.

O grupo acabou não tocando aquele dia e foi tirado do local pela polícia.

 

1994

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Em 1994 o Lollapalooza teve que dividir boa parte das atrações com outro festival gigantesco que estava acontecendo, o de Woodstock.

Estavam no line-up bandas como The Smashing Pumpkins, Beastie Boys e o Green Day, que participou da metade da turnê de três meses, que percorreu as cidades dos EUA e Canadá entre Julho e Setembro daquele ano.

Quem estava encaminhado para ser headliner do evento era o Nirvana, mas a banda desistiu alguns meses antes e no meio tempo o vocalista e guitarrista do grupo, Kurt Cobain, foi encontrado morto em Seattle.

Em alguns dos shows do Lollapalooza daquele ano, Courtney Love apareceu para falar publicamente sobre a perda de seu companheiro.

 

O início do (quase) fim

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1995 ainda foi um bom ano para o Lollapalooza, que teve shows de bandas como Hole, Sonic Youth, Pavement, Beck, Yo La Tengo, Built To Spill, Superchunk e mais.

1996, porém, viu o começo do fim do festival, já que Perry Farrell se afastava para cuidar de outros projetos como o festival de música eletrônica ENIT, e ficou chateado com a escalação do Metallica no palco principal daquele ano.

Para ele, a banda não representava as bandas de rock alternativo que vinham sendo escaladas até então, e também era significado do comportamento machista no rock.

Não que o line-up fosse ruim, já que contava com ninguém menos que Ramones, Soundgarden, Rancid, Screaming Trees, Rage Against The Machine e mais.

O problema é que o afastamento do seu idealizador, junto com o declínio do rock alternativo para as grandes massas, fez com que o festival perdesse a identidade e a força propulsora.

Em 1997 o line-up priorizou nomes do hip hop e da música eletrônica como Devo, Prodigy e Snoop Dogg.

Não é preciso dizer que os fãs de outros anos não compareceram ao evento e em 1998, quando se preparava uma nova edição, o Lollapalooza foi cancelado.

 

Retorno e formato

Lollapalooza 2003

Se o Lollapalooza surgiu como um lugar para a turnê de despedida do Jane’s Addiction, em 2003 ele veio como alternativa para a turnê de retorno da banda.

Apostando novamente no formato itinerante, Perry Farrell organizou um festival de 30 datas entre Julho e Agosto com nomes como Audioslave, Incubus, Queens Of The Stone Age, A Perfect Circle, The Distillers, Kings Of Leon e mais.

O festival aconteceu sem maiores problemas, mas a venda de ingressos foi menor do que a expectativa da organização.

Em 2004 um novo formato seria testado: a ideia era passar pelas cidades novamente entre Julho e Agosto, mas cada parada teria dois dias de evento.

Lollapalooza foi cancelado em 2004

O Lollapalooza chegou a ser anunciado com bandas como Sonic Youth, The Killers, Wilco e Morrissey, mas as vendas de ingressos foram baixas e o evento foi cancelado.

Perry Farrell não é brasileiro, mas não desiste nunca, e resolveu se unir a uma empresa que hoje responde por C3 Presents, organizadora do Austin City Limits Festival, para um novo formato que finalmente se consolidou.

Nascia assim, com a primeira edição em 2005, o Lollapalooza fixo no Grant Park em Chicago, em um festival que teve, na primeira edição, dois dias de festa.

Lollapalooza 2005

Weezer, Primus, Cake, Dashboard Confessional, OK Go, Pixies, The Black Keys, Death Cab For Cutie e mais foram atração da primeira edição no formato como conhecemos hoje, e o resultado foi um sucesso.

De lá pra cá, o Lollapalooza se tornou um evento anual, sempre no Grant Park em Chicago, e verdadeiro símbolo dos festivais norte-americanos, em uma área nobre de uma das maiores cidades dos Estados Unidos, praticamente no centro da cidade e ainda assim comportando milhares de pessoas.

Há um contrato, inclusive, para que edições anuais aconteçam pelo menos até 2018.

 

Expansão e América do Sul

Em 2011 com as coisas consolidadas em casa, Perry Farrell resolveu expandir os horizontes do seu festival e escolheu a América do Sul para fazê-lo.

Desembarcando mais precisamente no Chile, a primeira edição do evento em nossa região rolou nos dias 02 e 03 de Abril no Parque O’Higgins, em Santiago.

Lollapalooza Chile

O line-up teve The Killers, Deftones, Kanye West, Sublime With Rome, Jane’s Addiction, Fatboy Slim e mais.

Na mesma edição de 2011, mas em Chicago, uma das principais atrações era o Foo Fighters, que teve que enfrentar uma tempestade daquelas para terminar seu set.

Tempestade no Lollapalooza

As tempestades, aliás, tornaram-se uma indesejável “marca registrada” do Lolla Chicago nos últimos anos, já que o clima da cidade é daqueles que mudam rapidamente em pouco tempo e pegam todos de surpresa.

Não foram poucas as vezes que a organização teve que evacuar todo o público do Grant Park, muitas vezes para estacionamentos subterrâneos, para que a tempestade fosse embora e o festival recomeçasse.

 

Brasil

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O laboratório no Chile deu certo, ainda bem, e o Lollapalooza Brasil nasceu em 2012.

Foram dois dias de rock no Jockey Clube de São Paulo com o headliner do ano anterior em Chicago, o Foo Fighters, além de Arctic Monkeys, Foster The People, Joan Jett, Band Of Horses, Cage The Elephant e mais.

O país teve seu primeiro contato com o festival norte-americano e aprovou a empreitada, que em 2013 teve três dias e gigantes como Pearl Jam, Queens Of The Stone Age, The Hives, The Black Keys, deadmau5 e mais.

A organizadora do evento encerrou as atividades e o Lollapalooza foi “abraçado” por uma nova produtora, a T4F, que organiza diversas grandes turnês no Brasil há algum tempo.

Junto com a nova responsável, veio também um novo lar através do Autódromo de Interlagos, local pouco utilizado até então para eventos desse estilo.

As críticas vieram no primeiro ano, em 2014, mas em 2015 o que se viu e ouviu do público foram mais acertos do que erros, em uma espécie de consolidação do Autódromo como a casa do Lolla por aqui.

Nessas edições, o Lolla Brasil voltou a ter apenas dois dias.

 

Outros países

Em 2013 além de Chile e Brasil, foi anunciado que a Argentina também passaria a fazer parte do Lollapalooza, com versão em Buenos Aires que começou em 2014.

Mais recentemente foi anunciado que a Colômbia também terá seu Lolla a partir do ano que vem e esse ano marca a primeira edição do Lolla Berlim, primeira tentativa do festival no importante continente europeu.

A única tentativa frustrada até agora aconteceu em 2012, quando Perry Farrell chegou a anunciar a organização do Lollapalooza Israel, em Tel Aviv, que aconteceria entre os dias 20 e 22 de Agosto de 2013.

Sem motivos muito bem definidos, o evento foi cancelado e adiado sem uma nova data.

Sendo assim, Estados Unidos, Brasil, Chile, Argentina, Alemanha e Colômbia são os países que têm, hoje em dia, edições locais do Lollapalooza.