Pelos mais diversos motivos, bandas e artistas em suas carreiras já engavetaram discos que estavam nos mais diferentes estágios.

Desde rascunhos e ideias de óperas rock até discos completos e canções roubadas, os 10 nomes abaixo resolveram que não seria interessante lançar o álbum em que vinham trabalhando e mudaram no meio do caminho para favorecer um novo lançamento.

Reunimos as 10 histórias de 10 discos perdidos que nunca foram lançados da maneira original como foram imaginados. Alguns deles tiveram músicas disponibilizadas em outros trabalhos, outros são um completo mistério.

Divirta-se!

 

Green Day

Cigarettes And Valentines

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Em 2003 o Green Day começou a trabalhar no sucessor de Warning, e chegou a completar um bom número de faixas, antes que as masters fossem roubadas do estúdio.

Estima-se que 20 músicas já haviam sido gravadas e o álbum se chamaria Cigarettes and Valentines, mas nunca foi lançado.

Isso porque o trio resolveu, ao invés de regravar as canções, embarcar em uma abordagem completamente diferente para seu próximo álbum, a ópera-rock American Idiot.

Os integrantes da banda disseram que as músicas eram rápidas e voltadas ao punk, como em Insomniac, mas que o roubo das masters foi como uma “bênção disfarçada”, já que elas não revelavam todo o potencial da banda.

A faixa título do álbum foi lançada no disco ao vivo Awesome As Fuck, e outra canção, “Olivia”, foi executada durante a turnê de 21st Century Breakdown. Enquanto isso um lado B do single de “American Idiot”, “Too Much Too Soon”, também seria das sessões de Cigarettes.

 

Deftones

Eros

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Em 2007 o Deftones começou a trabalhar em seu sexto disco de estúdio, Eros.

O álbum começou a ser gravado em 2008 e seria lançado um ano depois, mas em Novembro daquele ano o baixista da banda, Chi Cheng, se envolveu em um grave acidente automobilístico que o colocou em estado de coma.

A banda interrompeu as atividades por um tempo e chegou a retomar o processo do álbum, mas deu uma declaração parecida com a do Green Day, de que o disco não representava todo o potencial da banda, e então o disco seria abandonado:

À medida que chegamos perto de completar Eros, percebemos que esse disco não representa quem somos como pessoas e músicos. E apesar dessas músicas serem lançadas algum dia, fizemos uma decisão coletiva de que precisamos ter uma nova abordagem, e com a condição de Chi em nossas mentes enquanto o fazemos. Precisamos voltar ao estúdio para fazer o que sentíamos que era certo artisticamente. A decisão de não lançar o disco não tem conexão com o estado de Chi ou qualquer coisa do tipo. Essa foi, e é, puramente, uma decisão criativa da banda em compor, gravar e entregar um produto ótimo.

Na prática as músicas de Eros nunca foram lançadas. Um som chamado “Smile” foi publicado no YouTube e estima-se que ele faria parte do disco, mas não houve confirmação oficial.

Em 2010 a banda lançou um dos melhores discos de sua carreira na forma de Diamond Eyes.

Em Abril de 2013, Chi Cheng morreu em um hospital após seu coração parar de bater.

 

David Bowie

Toy

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David Bowie começou a trabalhar em um novo disco chamado Toy em 2000, que teria músicas inéditas e releituras de seus sons dos anos 60 menos conhecidos, e a ideia de lançá-lo em 2001.

Por motivos que nunca foram muito bem explicados, o álbum, mesmo finalizado, acabou nunca sendo lançado oficialmente pela gravadora, e um novo disco veio em 2002 na forma de Heathen.

10 anos depois do lançamento previsto, em 2011, Toy foi parar na Internet na forma de 14 faixas.

https://www.youtube.com/watch?v=eid2kD2CQMo

 

The Beatles

Get Back

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Antes dos Beatles começarem a trabalhar no disco Let It Be, eles haviam decidido “voltar às raízes”, na forma de gravações ao vivo em estúdio.

Para tanto, começaram a trabalhar em um álbum que retrataria a situação em seu título, “Get Back”, e também na capa, similar à do disco Please, Please Me.

O embrião do que viria a ser eventualmente Let It Be foi rejeitado duas vezes pela banda, que não gostou do material final e resolveu convidar o produtor americano Phil Spector para trabalhar em cima das canções gravadas.

Ele remixou todas elas, trouxe novos elementos e já começou a pensar no álbum com seu novo nome e conceito. Boa parte de todos os problemas envolvendo os álbuns está relacionado ao fim da banda, que aconteceu um mês antes do lançamento do disco.

 

Pink Floyd

Household Objects

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No início dos anos 70 e depois do sucesso de Dark Side Of The Moon, o Pink Floyd começou a trabalhar com objetos caseiros como ferramentas, caixas e taças de vinho cheias de água e chegou a passar um tempo considerável em estúdio brincando com os sons.

Após cogitar até mesmo um álbum, o próprio David Gilmour confessou que tudo estava ficando muito difícil e “sem sentido”.

 

 

The Who

Lifehouse

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Depois da ópera rock Tommy, o The Who, principalmente através de Pete Townshend, gostaria de fazer mais um trabalho grandioso na forma de Lifehouse.

A ideia era incorporar o público dos shows da banda diretamente na música, através de equipamentos e participações que pudessem “adaptar” os sons do novo álbum durante as suas performances, já que Townshend estava maravilhado com as vibrações das apresentações do Who.

Para tanto, o álbum iria contar uma história de ficção científica que começava em uma era onde o rock’n’roll não existia.

O projeto foi descartado pela banda e acabou se transformando em canções mais voltadas ao rock tradicional presentes no disco Who’s Next, lançado em 1971.

Anos depois Townshend deu um gosto do que ele imaginava através de lançamentos nos anos 2000 como a caixa Lifehouse Chronicles e Lifehouse Elements.

 

Weezer

Songs From The Black Hole

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Após seu elogiadíssimo disco de estreia, The Blue Album (1994), o Weezer resolveu, na forma de seu líder Rivers Cuomo, trabalhar em uma ópera rock voltada à ficção científica (já ouviu essa história antes?) com letras a respeito de como o vocalista estava lidando com o sucesso de sua banda.

Em 1995 o cara entrou para Harvard e começou a trabalhar em letras mais obscuras, o que influenciou não apenas o modo como ele escrevia as canções, como a maneira com que ele começou a encarar o projeto.

Ao perceber que Songs From The Black Hole seria extravagante demais, Cuomo decidiu focar no que virou o segundo disco do Weezer, Pinkerton, lançado em 1996.

Algumas canções se tornaram b-sides de Pinkerton, enquanto outras entraram em lançamentos solo de Rivers, como os discos da série Alone, lançados em 2007, 2008 e 2011.

 

Misfits

12 Hits From Hell

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Em 1980 o Misfits estava gravando aquele que seria seu primeiro disco de estúdio na forma de 12 Hits From Hell.

12 músicas foram gravadas para o trabalho, mas ele foi cancelado depois que o guitarrista Bobby Steele foi substituído por Doyle Wolfgang von Frankenstein.

Apesar de nunca ter sido lançado, o álbum teve boa parte de suas músicas utilizadas como demos para o ótimo Walk Among Us.

Sons como “Astro Zombies”, “Halloween”, “I Turned Into A Martian” e “Vampira” acabaram se tornando bastante conhecidos dos fãs.

 

Cardiacs

LSD

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Por ironia do destino, em 2008 o Cardiacs sofreu uma baixa relacionada ao coração.

O líder da banda, Tim Smith, deixava um show do My Bloody Valentine quando teve um ataque cardíaco seguido de AVC.

A banda, fundada no início dos anos 80, resolveu interromper todas as suas atividades e isso incluía um novo disco de estúdio supostamente chamado LSD em que o grupo vinha trabalhando.

Esse seria o primeiro disco do grupo desde 1999, e acabou nunca sendo lançado.

 

Neil Young

Homegrown

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Em 1974 o mestre Neil Young resolveu gravar um disco acústico chamado Homegrown, com letras baseadas no fracasso de seu relacionamento com a atriz Carrie Snodgrass.

Apesar de ter sido descrito pelo músico como “o elo perdido entre Harvest, Comes a Time, Old Ways e Harvest Moon“, ele decidiu abandonar o projeto após sugestão do baixista Rick Danko, alegando que o motivo principal era que as músicas seriam muito pessoais e até mesmo “assustadoras”.

O álbum já tinha até uma arte pronta, mas acabou sendo engavetado para que Tonight’s The Night fosse então lançado.

Algumas das canções acabaram aparecendo em outros discos do músico mais pra frente.

 

Menção honrosa

The Clash

Rat Patrol From Fort Bragg

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Como espécie de “faixa bônus” dessa lista, trazemos o trabalho que deu início ao quinto disco de estúdio do The Clash, Combat Rock.

O álbum, simples, nasceu como um disco duplo chamado Rat Patrol From Fort Bragg, trabalho que começou a mudar de rumos depois que os integrantes da banda não gostaram da mixagem inicial feita por Mick Jones.

Eram 18 faixas incluindo demos e versões mais longas de músicas como “Know Your Rights” e “Straight To Hell”, que acabaram entrando em Combat Rock com versões menores.

Eventualmente o disco acabou sendo disponibilizado de forma não oficial e há até mesmo prensagens em discos de vinil mundo afora.