Os baianos da banda Vivendo do Ócio se apresentaram no último dia de shows do Festival Bananada 2015 e o vocalista do grupo, Jajá, conversou um pouco com o TMDQA! sobre o evento, a independência do cenário alternativo atual e preconceitos musicais.

Leia:

TMDQA: O que vocês estão achando desta edição do Festival Bananada? Não é a primeira vez que vocês tocam por aqui em Goiânia, né?

Vivendo do Ócio: Achamos fantástico. Não conhecíamos este espaço daqui, só tínhamos a dimensão do que era. Sabíamos que era um festival grande pelos artistas que também vão se apresentar como Criolo e Hellbenders, que são nossos brothers de outros palcos, outros eventos. Pra gente está sendo uma experiência muito boa, já estivemos aqui em outros festivais como o Devassa Sessions e no Goiânia Noise também. Então, é até redundante falar como é bom tocar por aqui.

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TMDQA: E como é se destacar com música alternativa em um local onde já existe um gênero (teoricamente) consolidado? Aqui em Goiânia, temos a “fama” de ser a terra do sertanejo, na Bahia muitos ainda veem como o lugar do axé…

Vivendo do Ócio: A Bahia é a terra de todos os ritmos, esse título de terra do axé ainda ecoa até hoje, mas essa realidade mudou faz muito tempo e ele está bem limitado à época de carnaval.

Tirando as cantoras que ainda estão mais em evidência e ainda conseguem empurrar suas músicas em todos os lugares, não temos noticia de músicas de axé tomando conta da cidade, o carnaval só piora com essa cultura de blocos de corda que surgiu nos primórdios do axé e até hoje atrapalha a “festa do povo”, espremendo as pessoas que pagam impostos o ano inteiro pelos cantos da avenida. O melhor da Bahia está na música alternativa, os melhores shows e trios do Carnaval, por exemplo, o Brasil não costuma ver pela TV, como a multidão que o Baiana System arrasta.

Mas voltando ao assunto, a gente encontrou as dificuldades que qualquer banda encontra no início, e ainda mais fazendo rock, rock é difícil em qualquer lugar do Brasil. Começamos a tocar aqui e ali pelos bares de Salvador e juntar uma galera, daí veio o apoio de uma parte da imprensa local que era mais ligada no que estava rolando, então começaram a escrever sobre a gente, começamos a chamar atenção, tocar em festivais, mas só fomos ter um respaldo maior depois que viemos para São Paulo e conseguimos nos estabilizar num meio de trabalho mais abrangente.

Posso afirmar que somos muito gratos à nossa terra, nunca vamos esquecê-la, é a nossa raiz, nossa casa, de onde sentimos muita saudade e criamos um público maravilhoso, sempre que dá, damos um jeito de voltar, o que pega mesmo é o meio de trabalho, se a gente tivesse as mesmas oportunidades morando em Salvador, talvez estivéssemos por lá ainda.

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TMDQA: Vocês estão realizando um financiamento coletivo para o lançamento do novo disco da banda. Na página do projeto vocês dizem que “se tornaram 100% independentes”. Qual a importância que vocês destacam neste trabalho independente, não só de vocês, mas de diversas bandas atuais?

Vivendo do Ócio: Quanto mais bandas tiverem autonomia para disseminar sua música, melhor. O mercado musical mudou muito, o independente sempre teve força e nos últimos tempos mais ainda, principalmente por causa da internet e o avanço da tecnologia de gravação. Tem muita gente que grava bons discos no quarto de casa e/ou optam pelo crowdfunding (financiamento coletivo), acreditamos que é esse o caminho e quanto mais ferramentas e plataformas surgirem para facilitar o “faça você mesmo”, mais oportunidades as pessoas terão de promover cultura, o independente só tem a ganhar com tudo isso.

TMDQA: E o que podemos esperar de novo/diferente neste lançamento?

Vivendo do Ócio: Esse disco traz inovações em tudo, as pessoas vão perceber em todo o conceito do disco a experiência que juntamos nesses anos de estrada. Além disso, é um trabalho totalmente coletivo, com os fãs pelo crowdfunding e com os nossos amigos. Temos várias participações nas composições e gravações.

Além da produção de Curumin e Fernando Sanches, toda a identidade visual está sendo feita por Mozart e Mônica Fernandes do Vértices Estúdio. É um grande trabalho que não vemos a hora das pessoas poderem ter acesso.

TMDQA: Sobre bandas goianas, existe alguma que você admira?

Vivendo do Ócio: (apontando para a camiseta do Black Drawing Chalks que estava vestindo) Nossos Brothers! Eu vejo o cenário goiano bem semelhante ao de Salvador. Todo mundo faz as paradas que gosta, a coisa vai além da música, as pessoas são ligadas no que acontece. Tem o Bicicleta Sem Freio, vários trabalhos de vídeo e de arte que se inserem no meio musical. E este tipo de trabalho ajuda a engrenar as coisas, são fatores que agregam ainda mais aos trabalhos que as bandas fazem. Tenho grande admiração pelo pessoal daqui, já toquei junto com alguns… é aquela coisa da cena mesmo, sabe ? Quando você faz um bom trabalho acaba atraindo este tipo de pessoas com a mesma energia. Ficamos amigos do Hellbenders, do BDC porque a gente tem um tipo de trabalho semelhante.

O Vivendo do Ócio também sempre cuidou da parte de design, de vídeo, de tudo da banda. Então eu acho que este é o novo estilo de trabalho dos dias atuais, e Goiânia representa isso muito bem. É um trabalho não só musical, é um trabalho artístico consistente. Temos muita honra em podermos nos apresentar aqui. Obrigado, Goiânia. Valeu!

TMDQA: Como foi a experiência de participar das gravações do projeto Around The World In 80 Music vídeos?

Vivendo do Ócio: Foi uma experiência sensacional, fomos até Analândia gravar numa fazenda, tudo num clima de Velho Oeste, bem a ver com a pegada da música “Por Um Punhado de Reais” e curtimos muito o resultado. Eles, Léo Longo e Diana Boccara, responsáveis pelo projeto, já conheciam nosso trabalho, participamos de um clipe que Léo dirigiu dos nossos amigos da Tokyo Savannah, então, eles entraram em contato e topamos na hora, ficamos muito honrados em fazer parte de um projeto tão massa como esse.

 

Vivendo do Ócio

O grupo está realizando um financiamento coletivo para o lançamento do novo disco do grupo, Selva Mundo, de maneira 100% independente. Se quiser ajudar, clique aqui.