Resenha: Thiago Pethit em São Paulo (15/01/15)
 

Texto: William Galvão e Rakky Curvelo / Fotos: Rakky Curvelo

Com o Teatro Paulo Autran (Sesc Pinheiros) em São Paulo lotado em plena quinta-feira, 15 de Janeiro, o músico e compositor Thiago Pethit fez um vigoroso show de lançamento de seu trabalho mais recente Rock´n´Roll Sugar Darling, lançado oficialmente em Novembro do ano passado. Em um palco transformado com seis placas de luz que eram devidamente iluminadas conforme o som, cinco músicos e duas vocalistas de apoio, Pethit mostrou ao vivo o conceito do disco: rock de cabaré bastante referencial, indo de Elvis a Iggy Pop, sem absolutamente nenhuma caretice.

Em cima do palco, suas várias facetas vão sendo descortinadas ao longo da apresentação. Longe do rock sisudo e encaixotado que vem sendo produzido no Brasil, onde baixo, guitarra e bateria são entoados de forma pragmática, Thiago Pethit explora todo esse “sugar” que tem sido deixado de lado no rock. Isso através de suas vocalizações ora afeminadas ora graves, em seu modo quase sexual de se mover, e a sonoridade de sua música que desestrutura toda a base roqueira habitual ao acrescentar novos contornos de teclados, segundas vozes, percussão e instrumentos simples explorados facilmente com as mãos como o pandeiro.

Resenha: Thiago Pethit em São Paulo (15/01/15)

De certa forma há um resgate de tudo que o rock foi um dia: contestador, sexual, sem gênero, sujo, obscuro e explosivo na medida. Logo no começo da apresentação, após iniciá-la com “Rock’n’Roll Sugar Darling”, uma aura cheia de duplos sentidos surge com o refrão safado “Doce como açúcar, vem chupar meu rock and roll”. Ponto em que um garoto da plateia grita “gostoso” e logo tem uma resposta bem humorada de Pethit: “Eu não sou gostoso, eu sou destruidor. I’m flawless. Woke up like this”. Sendo “destruidor” referência a um meme da internet e “flawless” uma música da Beyoncé.

O show contou com diversas referências musicais, teve uma introdução com Elvis, teve “Do You Wanna Touch Me”, da Joan Jett, teve “Nightwalker” com “Blue Jeans” da Lana Del Rey, e teve “Perdedor”, a música mais modificada do artista, que contou com um trecho de “California Dreaming”, clássico do The Mamas & The Papas e regravado por muita gente. Antes de tocá-la, Thiago explicou que quando foi gravada, os produtores do disco Adriano Cintra e Kassin optaram por uma versão mais “solar” de “Perdedor”, porém ele preferiu inverter essa lógica. “Quando eu fiz essa musica pensei em um gospel dark, então será essa a versão gótica que eu vou tocar nos shows”.

Das músicas novas, “Romeo” e “Quero Ser Seu Cão” já estavam na ponta da língua dos fãs. Destaques merecidos para “Save The Last Dance”, com uma batida de filme de suspense, e “Voodoo”, com gritinhos afetados que dão o tom da música. Após um show cheio de altos, o bis fechou a apresentação com “I Wanna be Your Dog” e um Thiago Pethit encarnado em Iggy Pop no auge de sua boa forma: correndo pelo palco sem cansar, se jogando no público e acabando sem roupa.

Resenha: Thiago Pethit em São Paulo (15/01/15)

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Um vídeo publicado por William Galvão (@williamgalvaoo) em