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Em 2014, o músico Zeca Baleiro lançou mais um álbum de sua carreira, esse, acompanhado de um DVD e retratando na verdade um momento ao vivo. Com direito até a uma regravação do Raul Seixas (“A Maçã”) o trabalho ao vivo chamado Calma aí, coração teve seu lançamento em Fevereiro, mas não é o foco desta resenha.

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Vamos voltar para 2012 quando Zeca lançava seu último trabalho de estúdio. Com o nome irônico de O Disco do Ano o álbum vem de uma realidade musical onde muitos nem sabem bem o que seria um disco em questão de formato físico ou mesmo como um apanhado de músicas (pelo fato de muitos ouvirem apenas músicas saltadas). Mas para os que ainda preservam a vontade e o interesse de ouvir discos em seu formato de maior qualidade possível, a versão em vinil desse álbum do Zeca é com certeza muito interessante.

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Letrista de mão cheia, Baleiro se mostra inspirado em faixas como “Calma aí, coração”, “Nada Além”, “Nu” e na bonita “Zás” (essa última me remetendo muito a Humberto Gessinger) e passeia tranquilo e calmo por uma variedade de pegadas, ritmos e estilos. A própria “Zás” é um pop rock com um instrumental inspirado, enquanto “Calma aí, Coração” mistura pegadas que remetem ao dub em baterias eletrônicas mais retas e “O Desejo” (que tem a participação de Chorão, do Charlie Brown Jr.) é seca, ácida e rap. O ouvinte de Zeca Baleiro precisa mesmo ter um gosto heterogêneo.

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Em “Meu Amigo Enock”, “O Amor Viajou” e “Mamãe No Face”, Baleiro explora uma veia que beira o humor, e que, mesmo sendo boas músicas, falham, ao meu ver, na sequência do álbum. Às vezes é complicado demais trocar de clima entre uma música e outra.

No fim, um disco que vale ser ouvido e reouvido. Há muito a se descobrir entre os sulcos desse bolachão.

Nota: 7/10

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