Exclusivo: Talma&Gadelha - "Caê" (single e vídeo) + entrevista

Uma das bandas mais queridas do rock potiguar, a natalense Talma&Gadelha, responsável pelo Melhor Álbum Nacional de 2013 (Maiô), realiza nesta quarta-feira (28 de Maio) o primeiro lançamento que marca sua nova fase, com Khalil Oliveira (Tio Sam) assumindo a bateria e Adriano Sudário empunhando a guitarra, instrumentos antes tocados por Emmily Barreto e Cris Botarelli, respectivamente, que precisaram se afastar do grupo para focar no Far From Alaska (banda que lançou neste mês o álbum modeHuman).

A banda, composta ainda por Simona Talma (voz), Luiz Gadelha (voz e baixo) e Henrique Geladeira (vocal e guitarra), apresenta com amor e exclusividade no Tenho Mais Discos Que Amigos! o single e o videoclipe da novíssima “Caê“, canção disponibilizada também para download gratuito. Conforme o título e o trabalho visual já nos levam a entender, a faixa é uma homenagem a uma das maiores influências de Simona Talma e Luiz Gadelha (que lançou neste ano seu segundo álbum solo, Supérflua), Caetano Veloso, e faz referência à música “Sorvete”.

Logo abaixo, além de conferir em primeira mão o single (para ouvir e baixar) e o videoclipe de “Caê”, leia nossa entrevista com o sempre atencioso Luiz Gadelha, que fala, justamente, mais detalhes sobre a nova fase da banda e o que podemos esperar da mesma em um futuro próximo.

TMDQA!: A história que deu origem à letra é bem divertida. Pode também conta para os nosso leitores como a ideia de “Caê” surgiu?
Talma&Gadelha: Em dezembro do ano passado, eu (Luiz Gadelha) e Simona Talma estávamos no Rio de Janeiro para resolver umas produções da banda. Estávamos pela primeira vez juntos, conhecendo o Rio, realizando o sonho antigo. Temos um grande amigo carioca que nos contou uma história hilária que Caetano estava inserido. O nosso amigo carioca esteve em uma festa conversando com Caetano Veloso a noite inteira; por motivos alcoólicos, no dia seguinte ele não lembrava do fato e uns amigos que estavam no mesmo evento que ele ligaram perguntando: “O que você tanto conversava com Caetano na festa, ontem?” Essa história real e nosso olhar de admiração à beleza do Rio, a nossa primeira visita juntos à cidade maravilhosa, inspirou Simona Talma a escrever a letra de “Caê” quando voltamos pra Natal.

TMDQA!: E onde gravaram a faixa?
Talma&Gadelha: Com exceção da bateria, que foi gravada no estúdio de Cássio Zambotto, as vozes e os demais instrumentos foram gravados no home estúdio do nosso guitarrista Henrique Geladeira. Henrique Geladeira produziu, arranjou, gravou e mixou a faixa. Cássio Zambotto foi técnico de gravação de bateria e masterizou “Caê”.

Através das fotos que haviam divulgado, vocês transmitiram que foi bem divertido gravar o vídeo de “Caê”. Houve alguma curiosidade engraçada que poderiam compartilhar? Onde ele foi gravado?
A ideia do clipe é trazer os bastidores da gravação do single misturado com a aparição de nosso “Caetano Veloso” em Natal dando uns rolés com a banda. Convidamos o amigo e baterista Artur Porpino pra ser nosso Caê. João Augusto Cardoso topou produzir o clipe. E nas primeiras gravações, quando Artur colocou a máscara e vestiu o figurino, ficamos impressionados como parecia realmente com Caetano. Não era só um cara com uma máscara de Caetano, era o jeito de andar , os movimentos e o biotipo! Rimos muito nesse primeiro momento.

Eu percebi que foi bem espontânea a maneira como a música “Caê” apareceu para vocês. Vocês em algum momento se preocuparam em ter algum material inédito para mostrar aos fãs para marcar de vez a nova fase da banda ou vocês não haviam pensado nisso ainda?
A gente é inquieto, a gente quer produzir o máximo que pudermos. A ideia de lançar um single já vinha acontecendo junto à ideia de produzir o nosso terceiro CD e aí começamos a compor. Na primeira canção já nos empolgamos e decidimos: esse vai ser nosso próximo single. Casou esse momento com a chegada dos novos integrantes, Khalil Oliveira e Adriano Sudário, que já entraram pegando no batente, na responsabilidade de criar e tocar pra essa nova canção.

É inevitável comentar sobre a mudança que a banda sofreu na formação, já que “Caê” marca o primeiro registro de vocês três com Khalil Oliveira e Adriano Sudário, depois de anos com Cris Botarelli e Emmily Barreto. Foi um processo longo escolher quem assumiria a bateria de Emmily e a guitarra de Cris ou vocês já tinham ideia? Pois lembro que no festival DoSol 2013 vocês chegaram a tocar com outro baterista e não Khalil (pois Emmily estava no RJ gravando o disco do Far From Alaska), apesar de naquela época ambas estarem ainda na banda.
Foi um processo longo. A ausência das meninas era esperado por nós, compreendido por nós por causa do merecido espaço que Far From Alaska vinha ganhando. Sabíamos que esse momento chegaria e por isso precisamos ensaiar com outros músicos e que sempre toparam tocar com maior alegria e nós também adoramos. Sabíamos que era difícil achar essas pessoas porque a banda havia surgido a partir dessa formação em que contávamos com Cris e Emmily. Além da química, é preciso que role disponibilidade, vontade de estar numa banda que tem uma história já iniciada.

A gente sabe que a cena rock potiguar é formada por pessoas que se conhecem de verdade e que já até tocaram em projetos juntos. Como vocês conheceram Khalil e Adriano e o que influenciou vocês três a convidarem eles para o Talma&Gadelha?
Adriano Sudário já tem um trabalho de musica autoral aqui em Natal, solo ou banda, ele sempre atuou (e ainda atua) como compositor, cantor e guitarrista, e era um nome que Henrique trouxe como sugestão, já havíamos discutindo isso entre nós. Khalil Oliveira também tem suas passagens por bandas e projetos de música. Por sugestão minha e numa conversa com Artur Porpino (na época ensaiava conosco), chegamos em Khalil, que faz faculdade de música junto comigo (Luiz Gadelha), somos da mesma turma.

Falando em tocar em projetos juntos, vocês possuem projetos paralelos (e eu nem vou citar nada do Henrique porque eu fico cansada só de lembrar o tanto que esse cara apronta na música por aí). Isso atrapalha a banda de alguma forma ou vocês conseguem conciliar direitinho? Digo, Talma&Gadelha é a prioridade? Existe isso?
A rotina de uma banda independente é puxada, mesmo nos períodos de poucos shows, mas os trabalhos internos sempre existem. Nunca paramos. O que acontece com os outros trabalhos é que nós podemos “desopilar” um pouco do Talma&Gadelha e ir passear por outros caminhos, mesmo que no meu caso, o trabalho solo não seja tão distante do trabalho da banda, mas me permite não ter tanto compromisso com shows, por exemplo. Quando chega um momento como esse, de preparar material novo, aí tudo se volta pra ele, pra banda, intensamente. Adriano e Khalil estão chegando agora, ainda estão pegando o ritmo e entendendo nossa dinâmica, estão se saindo muito bem, são leves nos ensaios, no palco e acredito que eles estejam felizes em estar conosco e torcem muito pela banda e ajudam a tocar o bonde.

E vocês também têm influências diversas e que ficam nítidas nos registros da banda, como em Maiô, um belo registro sem limites e sem preconceitos de estilos musicais, merecendo todo o destaque que teve no ano passado. Como vocês costumam compor e unir essas ideias? Alguém fica responsável por certa parte ou todos pensam juntos?
Primeiramente, o destaque para melhor disco de 2013 que o TMDQA! nos deu para “Maiô” foi uma felicidade imensa pra banda, pra quem curte nossa banda, pra nossa cidade. Uma felicidade sem igual. Ficamos muito felizes com essa indicação. A banda é nova, estamos com 2 discos e nosso processo vem se ajustando ainda. Eu e Simona Talma nos reunimos pra compor as canções. Melodias e letras. Gravamos em casa mesmo, no computador ou no celular. Desse encontro sai só o embrião da musica. Levamos pra Henrique que vai dar a cara ao embrião, mais estrutura pra música. Define introdução, as partes que se repetem, ajusta a harmonia quando é preciso e depois levamos pra o batera e o outro guitarra criarem junto conosco. Entra influência musical de todo mundo nesse processo.

Nova música, novo clipe, nova formação, nova fase… com tudo isso acontecendo logo depois de um produtivo ano de 2013, o qual rendeu a ampliação da notoriedade da banda com o lançamento de Maiô, o que os fãs de vocês podem esperar? Mais singles? Um EP? Mais um disco? O que vem agora para o Talma&Gadelha?
Estamos num momento muito legal. A banda se reencontrando. A chegada de Adriano e Khalil tem nos trazido alegria cada vez mais. Nos damos bem juntos, rimos, nos divertimos sempre. Tudo no tempo certo. Estamos lançando nosso single com toda essa nova energia e comemorando 1 ano de lançamento de “Maiô” no mês de maio. Estamos sonhando com o terceiro disco. Já estamos compondo novas canções. Não temos uma previsão porque ainda estamos em processo mas a gente quer lançar o mais breve possível. A gente quer experimentar novos ritmos, novos caminhos nas melodias, nos arranjos. Queremos continuar experimentando. E a gente espera tocar mais e mais pelo Brasil.

Nós, do Tenho Mais Discos Que Amigos!, aproveitamos para agradecer pelo amor e pela atenção de sempre, além de desejar toda a sorte e toda a felicidade nos caminhos de vocês. Um abraçaço para todos! Fica aqui o espaço para mandarem o recado que quiserem aos fãs e aos leitores que estão conhecendo o trabalho de vocês agora. :)
A gente quem agradece MUITO! O TMDQA! é só amor, respeito e profissionalismo conosco. Sempre nos recebendo com as portas abertas e sorriso no rosto, espalha nossos trabalhos pelo Brasil com toda satisfação do mundo. É uma alegria e tremenda sorte pra nós da música independente. Estamos na luta. Cada passo é muito importante pra nós. Mostrando nossa arte, nossa linguagem, ampliamos horizontes, vamos chegando um a um aos corações que nos escutam. Queremos agradecer muito o apoio e o carinho mais uma vez, do TMDQA! e de todo mundo que acompanha o trabalho do Talma&Gadelha e que também espalha nossa música pelo mundo; vocês são mais um integrante da nossa banda. A gente faz música porque vocês embarcam em nossos sonhos e nas nossas fantasias. A gente se completa.

VEJA “CAÊ”

Direção e produção: João Augusto e Luiz Gadelha
Imagens e edição: João Augusto Cardoso
Finalização: Gustavo Guedes, Fernando Melo e João Augusto Cardoso
Participação especial: Artur Porpino como Caetano Veloso (“Caê”)

OUÇA “CAÊ”

Single “Caê” (Luiz Gadelha/Juão Nin/Simona Talma)
Henrique Geladeira: guitarra e vocais
Adriano Sudário: guitarra e vocais
Simona Talma: voz
Luiz Gadelha: voz e baixo
Khalil Oliveira: bateria
Produzido, arranjado e mixado por: Henrique Geladeira
Técnico de Gravação de bateria e masterização: Cássio Zambotto

O download da faixa pode ser feito gratuitamente aqui.