EXCLUSIVO: Zulumbi concede entrevista e download gratuito de
 

EXCLUSIVO: Zulumbi concede entrevista e download gratuito de "Essa é Pra Você"
Foto por Camila Miranda

Com nome batizado por Afrika Bambaataa, o Zulumbi é o projeto que reúne Lúcio Maia (Nação Zumbi), PG (Elo Da Corrente) e Rodrigo Brandão (vulgo Gorila Urbano) mesclando suas diversas influências musicais – que passam por maracatu, hip-hop e jazz – e dando origem a uma sonoridade difícil de rotular.

Criado “pelo amor à música vinda da alma”, o trio lançou no dia 3 deste mês de Fevereiro, em versão digital, seu bem trabalhado álbum homônimo e de estreia. O registro composto por 10 faixas, que também chegará também em formato físico (CD e vinil) em breve, foi co-produzido por Daniel Bozio e trouxe grandes participações especiais: as de Juçara Marçal, Anelis Assumpção, Rob Mazurek, Jason Adasiewicz, Yarah Bravo, Thiago França e Marcelo Cabral.

Tivemos a oportunidade de conversar com a banda e saber mais sobre esse lançamento; seus planos; o que acham do mercado fonográfico atual e muito mais. Para acompanhar a entrevista, cuja íntegra você confere logo abaixo, o Zulumbi lança o single “Essa é Pra Você” (sucessor de “Babe vou Bombar“) para download gratuito aqui no Tenho Mais Discos Que Amigos!.

 

TMDQA!: Todas as faixas do disco têm recebido elogios unânimes e muitos dizem que qualquer uma delas serviria como single. Tendo isso em vista, por que “Babe vou Bombar” foi escolhida para ser a primeira música de trabalho?

Zulumbi: Foi uma confluência natural: por um lado, quando mostramos o disco pronto pros amigos mais próximos, todo mundo citava suas prediletas, e por mais que as escolhas variassem, essa quase sempre era citada. Por outro, quando chegou no iTunes, o pessoal de lá sugeriu iniciar os trabalhos com a mesma. Como juntou a fome com a vontade de comer, a gente percebeu isso como um sinal e aceitou. Eu creio que quase todas as faixas representariam bem o grupo, inclusive a “Babe”. Então, de boa. E se parar pra pensar, o refrão dela reforça a ideia de botar o bloco na rua, que reflete bem a nossa condição nesse instante no tempo e no espaço.

O disco foi co-produzido por Daniel Bozio. Como foi trabalhar com ele e o que os levou a convidá-lo para ajudá-los a cuidar da produção do material?

Daniel é um grande amigo meu e do Lúcio, que vive a música por uma perspectiva muito parecida com a nossa. Ele atua como engenheiro de gravação, tem abordagem de produtor, percepção de arranjador, é um mano que acrescenta em diversas etapas do processo. Guardando as devidas proporções, eu diria que ele está para o Zulumbi assim como o Mario Caldato esteve para os Beastie Boys na época do Check Your Head.

O álbum também conta com inúmeras participações especiais, como Anelis Assumpção, Rob Mazurek e Yarah Bravo. Com quem foi mais divertido gravar? Vocês que escolheram as músicas que gostariam que cada um participasse ou os próprios convidados que fizeram as escolhas?

Sinto como um privilégio poder dizer que foi mó astral gravar com essa rapa toda! Na real: só foi parar no estúdio gente com quem a nossa energia sinka espontaneamente. Isso potencializou muito a contribuição de cada um, e o resultado final, no meu entender. Quem escolheu onde entrariam as participações foram as próprias músicas, liga? Não teve essa de “queremos fulano no disco”, foi sempre tipo “esse som pede um trompete… vamo chamar o Rob”. Num alusão cinematográfica, a prioridade é o roteiro, a história a ser contada. E daí os atores chegam para servir a esse propósito, nunca o oposto.

Vocês contaram que o projeto surgiu “pelo amor à música vinda da alma”. O que acham do mercado musical atual? Qual é a opinião de vocês sobre o que está na mídia e no independente?

Olha, é fácil generalizar dizendo que só tem merda no mercado e coisa boa no rolê independente. Mas falando pessoalmente, a grande maioria dos artistas que me emocionam hoje em dia corre por fora, come pelas beiradas. E por mais que obtenha resultados heroicos, como o Racionais, ainda assim alcança muito menos gente do que poderia! Se você para pra pensar que antigamente na televisão brasileira tinha um programa como O Fino Da Bossa, apresentado pela Elis Regina e o Jair Rodrigues, ou o Divino Maravilhoso, que transmitia a Tropicália em tempo real debaixo dos bigodes da Ditadura Militar, fica evidente que as coisas pioraram muito. Que o “Robocop Do Sistema” está mais ligeiro e impiedoso. Já não assisto à TV há uns 20 anos, então dizem que vivo numa dimensão própria, e portanto nem devo ser a pessoa mais indicada pra fazer uma análise profunda do que a mídia de massa tem empurrado goela abaixo de quem aceita consumir (e ser consumido) por ela. Mas olhando daqui da nave espacial, me parece uma enorme pedra de crack!

O trabalho do Zulumbi apresenta uma mistura de gêneros como maracatu, mangue beat, hip-hop, jazz e ainda consegue ser pop e psicodélico. Como vocês costumam explicar, definir a sonoridade da banda?

É hip hop. Só que não fica restrito a um formato, a uma fórmula, uma estética vigente. A gente cresceu ouvindo só maluco original, que revolucionou, ampliou e reinventou essa forma de arte, com identidade e perspectiva únicas, processando toneladas de influências, dos mais variados estilos musicais. A Tribe Called Quest, Public Enemy, Boogie Down Productions, Notorious B.I.G., Digable Planets, Black Star, Outkast, De La Soul, Madlib, Run DMC, Kool Keith, N.W.A., Gang Starr, Del The Funky Homosapien, Anti Pop Consortium e mais um bando. O que todos eles tem em comum? O fato de não serem nada comuns, de não seguirem padrões. E no fim, é tudo rap. Sem querer me comparar com esses mestres, mas é a mesma coisa com o Zulumbi: beats, rimas & a vida. Do nosso jeito, emanando nossas vivências musicais e pessoais.

Vocês seguem a filosofia “o que vale é o que inspira”, conforme é cantado na música “Cosmos Conspira”, e já contaram que o som do Zulumbi foi influenciado por nomes como Funkadelic, Erykah Badu, Bad Brains, Tim Maia e Beastie Boys. Como foi compor para o projeto e extrair essas influências, mas se mantendo original?

Foi totalmente natural, e nem teria como ser diferente. Mesmo que a gente quisesse, seria impossível escapar de ser quem nós somos. Por isso a música tem estilo próprio. Nosso som é como impressão digital: pessoal e intransferível.

Podemos aguardar uma turnê de divulgação do disco pelo Brasil, apesar de todos da banda serem “musicaholics” e trabalharem em projetos paralelos?

Porra, isso depende muito dos contratantes, você sabe… mas do lado de cá, podicrê que a vontade é meter o pé na estrada e ganhar o mundão sim!

Na visão de vocês, como o Zulumbi se diferencia dos outros projetos que possuem?

A formação em si é um dos fatores, visualmente talvez o mais imediato: é raro uma banda completa sem baterista, e mesmo os toca-discos lado a lado com os demais instrumentos…. não consigo pensar em alguém no Brasil que usa um set-up igual. Os temas tratados nos versos também. Mas boto fé que a intersecção da contribuição de cada integrante é que gera o grande diferencial. Lúcio, PG e eu já colaboramos antes em diversas situações, mas essa é a primeira vez que juntamos as forças como um triângulo equilátero. E no palco, potencializado pelos nossos parceiros, se transforma num hexágono.

Em Março ocorrerá o lançamento físico do álbum. O registro sairá em qual formato? Há planos para uma edição em vinil?

O CD já chegou, e o vinil tá a caminho! Enquanto você lê essas linhas, do outro lado da cidade, a agulha deve estar beijando o test press!!

Vocês têm mais discos que amigos?

Muitos dos meus melhores amigos são discos, então essa conta é meio complicada.

Zulumbi – “Essa É Pra Você”

Ouça logo abaixo e faça o downlaod gratuito do novo single do trio: