Metallica

Metallica

Até o início da quarta edição do Rock In Rio no Brasil, a coluna Faixa Um vai se dedicar exclusivamente a alguns dos headliners do festival, que ocorre entre os dias 13 e 22 de Setembro no Rio de Janeiro. Na edição anterior, o tema foi “New Born”, do Muse.

Desde a estreia com Kill ’em All, em 1983, o Metallica deixou muito claro a que veio. Em pouco mais de 50 minutos os novatos da Bay Area revolucionaram a forma de se fazer heavy metal, com velocidade e técnica impressionantes, ainda mais fortes com um peculiar – para o estilo, ao menos – senso melódico. Essa aptidão para boas melodias ganhou força no disco seguinte, Ride The Lightning, disco repleto de faixas tão pesadas quanto às de Kill ’em All, mas rejeitado por uma parcela pequena de fãs pela inclusão de ritmos mais lentos e da balada “Fade to Black”.

Mas para a nossa sorte, o Metallica nunca esteve disposto a se acomodar, a aceitar e reproduzir o esperado por críticos ou admiradores. Muitos reclamam dos tropeços em St. Anger e do flerte com o hard rock em Load e Reload, apesar de os acertos do grupo nesse sentido terem sido muito mais relevantes. O melhor exemplo disso é Master of Puppets, louvado por novatos e profundos entendedores como um clássico inquestionável da música pesada.

Sem se preocupar com meia-dúzia de headbangers frustrados, o Metallica deu sequência aos experimentos e à evolução da banda apresentadas em Ride The Lightning e criou o excepcional Master of Puppets, um álbum maior que o antecessor em todos os sentidos: é mais longo, mais pesado, mais violento, mais técnico e também mais melódico e de fácil assimilação.

Enquanto Kill ‘em All nos apresentou quatro fãs de heavy metal ansiosos demais para replicar os ídolos, Ride The Lightning os mostrou brincando com novos sons e possibilidades, e Master of Puppets revelou um grupo pronto para se tornar uma das mais importantes da história. E “Battery”, a faixa um do álbum, serve tanto como despedida dos primeiros anos do Metallica como uma pequena prévia do restante do álbum.

A introdução limpa, com violões clássicos, não foi inédita na carreira da banda – “Fight Fire With Fire” também inaugurou Ride The Lightning assim – mas o trecho em “Battery” cria a atmosfera perfeita para os minutos seguintes de pancadaria quase ininterrupta, do primeiro grande riff de James Hetfield aos três solos de Kirk Hammett (um curto após o primeiro refrão, outro no interlúdio lento e o último antes do refrão final).

A performance da cozinha da banda também é exemplar: o grande Cliff Burton, morto meses após o lançamento do álbum, é preciso e virtuoso, enquanto Lars Ulrich estava no auge da forma, anos-luz à frente das performances cansadas e irregulares de hoje em dia. A letra de Hetfield e Ulrich antecipa os temas do resto de Master of Puppets, e aborda a ânsia pela violência e a forma como ela se apossa de alguns de nós, mas de forma ambígua; “Battery” também faz referência à rua homônima em São Francisco que foi casa de vários clubes de rock que receberam o Metallica no início dos anos 1980.

“Battery” não é presença garantida nos setlists do grupo, apesar de surgir com certa frequência. Mas a última vez que o Metallica tocou a música no Brasil foi no primeiro show por aqui da turnê sul-americana de 2010, em Porto Alegre. O Metallica se apresenta no Rock In Rio no dia 19 de setembro, e talvez volte em dezembro ou no início do ano que vem para apresentações em outras capitais. De qualquer forma, será a segunda vez que a banda passa por aqui desde então, e certamente todos os presentes a qualquer uma dessas apresentações ficaria mais que feliz em abrir o mosh pit ao som de uma das peças-chave do thrash metal.

Faixa Um

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