Zero Zero - Back To Basics

O underground brasileiro é repleto de bandas boas, e volta e meia algumas delas aparecem em forma de MP3, CDs e, graças aos deuses do rock, discos de vinil por aqui.

É o caso do Zero Zero, banda capixaba que poderia ser classificada como “Punk” por uma daquelas plaquinhas em lojas de discos, mas que incorpora diversos outros elementos em seu som.

Garage rock, surf music e até mesmo shoegaze estão presentes no som da banda e através das 7 faixas que fazem parte do EP do grupo, Back To Basics, é possível viajar por todos eles em canções que não passam de 2 minutos de duração.

A abertura do trabalho com “Bombshell Surfers” dá uma boa ideia do que vem pela frente e, em alguns momentos fará com que os vocais te lembrem de bandas como The Hives, aliados aos gritos e à agressividade de nomes como Black Flag.

“Skateboards In The Deathpit” segue na mesma linha enquanto o começo de “Spit It” evoca nomes como Dead Kennedys e tem mudanças de tempo aplicadas com bastante perfeição. É nessa música que a influência roqueira e oitentista fica bastante evidente no som do Zero Zero.

Com um minuto e cinco segundos, “Dirty Girl” encerra o lado A com mais velocidade, mais berros, uma guitarra simpática de fundo e muita diversão. A vontade é de colocar as músicas pra tocar novamente, mas ainda há o lado B com mais três faixas.

E ele começa com a faixa que carrega o nome do EP e um baixo distorcido, enquanto “Chinese Shoes” é menos frenética e, novamente, lembra toda a energia do Hives e de seu elétrico vocalista Howlin’ Pelle Almqvist.

Vale ressaltar aqui que o som da banda é, sim, cheio de (boas) referências, mas tudo é integrado ao som e às individualidades de seus integrantes, o que torna o trabalho ainda mais interessante e longe de ser uma cópia.

Pra finalizar, “All The Way Down” encerra os trabalhos de forma competente com seus baixos distorcidos, guitarras nem tanto e mais vocais berrados.

O Zero Zero é uma banda que promete. Lá na gringa, os californianos do Ceremony faziam hardcore, assinaram com a famigerada Matador Records e mudaram o som em direção ao indie/garage/shoegaze, mas de forma bastante drástica. Aqui, os capixabas construíram Back To Basics com uma receita que traz ingredientes bacanas em quantidades muitíssimo bem dosadas. É um baita prato, digo, disco, pra você colocar em sua vitrola.

Nota: 9/10

Encontre o disco à venda em vinil de 7 polegadas clicando aqui.