The Black Keys
 

The Black Keys

Todas as quintas-feiras até o Lollapalooza Brasil, a coluna Faixa Um vai se dedicar exclusivamente aos headliners da edição 2013. The Killers e Queens Of The Stone Age já passaram por aqui.

Durante os primeiros anos de carreira, o The Black Keys sempre foi comparado com o The White Stripes, não apenas por também ser uma dupla de rock n’ roll com cores no nome, mas por fazer uma mistura do rock garageiro com blues tradicional do meio-oeste americano que só os anos depois do punk nos permitiriam conhecer.

Com o sucesso de público e crítica do projeto de Jack e Meg White, Dan Auerbach e Patrick Carney passaram muito tempo escondidos sob a sombra do duo mais popular. Enquanto era adulado por críticos, o The Black Keys refinava e polia cada vez mais sua consistente discografia, que insistia em ser um segredo muito bem guardado. Até que a dupla conheceu Brian Burton, mais conhecido como Danger Mouse.

Responsável por The Grey Album – disco de mashups que misturou o álbum branco do Beatles com The Black Album, de Jay-Z – e um dos pilares do Gnarls Barkley pouco tempo depois, Danger Mouse adicionou elementos do soul da década de sessenta ao som do grupo já no aclamado Attack & Release, de 2008, mas Auerbach e Carney só conseguiram externar essa nova influência em “Tighten Up”, única faixa de Brothers (2010) produzida por Danger Mouse. Justo ali, quando o The White Stripes já era na prática um passado não muito distante, o The Black Keys começou, aos poucos, a se tornar uma potência mundial.

Mas o que pouca gente esperava era que Brothers fosse seguido por outro álbum ainda melhor, e com sucesso ainda mais amplo: El Camino, lançado no fim de 2011, que trouxe Danger Mouse de volta ao cargo de produtor. Ali, o flerte discreto com o soul norte-americano deixou de ser uma das características do som do The Black Keys, e se tornou o diferencial do “blues punk” da dupla. Com o tempo, El Camino se tornou o disco mais bem-sucedido do The Black Keys, e a boa recepção do disco deve muito à faixa de abertura, a espetacular “Lonely Boy”.

Inspirada no clássico “Train Kept-a Rollin'”, um dos grandes standards do blues, “Lonely Boy”é o tipo de composição que soa bem em qualquer arranjo, gravada em qualquer microfone, mesmo se reproduzida naqueles fones brancos de iPod escondidos em caixas de papelão molhadas. “Lonely Boy” podia muito bem ser uma balada acústica, poderia ter um naipe de metais, as possibilidades são infinitas; verdade é que as guitarras sujas aliadas a uma batida reta, mas cheia de groove, transformaram um hit certo em uma explosão contagiante, que ainda ganhou um clipe simples e divertidíssimo, que obviamente se tornou mais um hit viral no YouTube (veja no fim do post).

Dos quatro Grammys que o The Black Keys ganhou na última edição da cerimônia, dois foram por “Lonely Boy”: Melhor Performance de Rock e Melhor Música de Rock. No ano passado, o single foi a música mais executada nas rádios rock dos Estados Unidos e diversos outros países. Mas não são os prêmios ou os números que fazem de “Lonely Boy” uma grande música, e sim a diversão crua e honesta captada em pouco mais de 3 minutos por uma dupla despretensiosa da desconhecida cidade de Akron, em Ohio. É o retrato perfeito de duas pessoas que escolheram a música mais por paixão do que por vocação, e encontraram voz própria sem a pressa de se tornarem fenômenos de audiência – e assim encontraram a receita para chegar lá.