Muse - The 2nd Law
 

Muse - The 2nd Law

“Épico”. Esta palavra utilizada em excesso nos dias de hoje é simplesmente perfeita para descrever toda a discografia do Muse, e provavelmente o estilo da banda em si. Matt Bellamy, Chris Wolstenholme e Dom Howard nunca se contentaram em fazer rock simples para tocar em pubs e pequenas casas de shows – é sempre algo extremamente grandioso, voltado para grandes multidões. Para o universo inteiro ouvir, se possível. Portanto, seria fácil deduzir que o adjetivo se aplicaria também a The 2nd Law, o novo álbum do grupo, que caiu nas garras da internet na última segunda-feira (24), após ser disponibilizado para streaming em diversos sites.

Não é necessário ouvir o álbum mais de uma vez para descobrir que, novamente, o Muse pensa alto, até porque isso já era óbvio nos singles previamente divulgados: “Survival”, música-tema dos Jogos Olímpicos de Londres, a eletrônica “Madness”, que só fica interessante perto do fim, e a polêmica “The 2nd Law: Unsustainable”, que marcou o ingresso do Muse no campo minado do dubstep. A questão é que, juntas, as 13 faixas de The 2nd Law soam absolutamente megalomaníacas, exageradas até para quem já esperava o maximalismo absoluto dos ingleses.

O disco começa bem, com a potente “Supremacy”, faixa supostamente composta como tema do novo filme de James Bond, 007 – Operação Skyfall. Verdade ou não, certamente a música tem qualidades cinematográficas, e deverá funcionar bem ao vivo, especialmente se Matt Bellamy conseguir atingir todas essas (impressionantes) notas altas. Depois de “Madness”, é a vez da funkeada “Panic Station”, que com uma linha de baixo claramente inspirada em “Another One Bites The Dust”, do Queen, provavelmente vai virar hit em inúmeras festinhas de rock mundo afora.

O ritmo cai um pouco na metade do álbum, e ouvidos menos atentos – ou menos apaixonados pelo Muse – podem se distrair vez ou outra, apesar de boas faixas, como “Animals”, que poderia integrar o tracklist do excepcional Absolution (2004), ou a bonita “Explorers”, com melodias que sugerem um cruzamento esquisito entre o Queen e os Beatles reinventado pelo trio.

O temido dubstep volta com toda a força na mediana “Follow Me”, e as guitarras à la U2 de “Big Freeze” também não empolgam. Os pontos mais baixos do álbum são “Save Me” e “Liquid State”, duas das melhores músicas do disco, mas que perderam força ao serem cantadas pelo baixista Chris Wolstenholme. Apesar do apelo emocional – as duas foram escritas por Wolstenholme inspiradas na batalha dele contra o alcoolismo – é impossível não se perguntar como elas soariam cantadas por Bellamy. As duas últimas músicas, a supracitada “The 2nd Law: Unsustainable” e “The 2nd Law: Isolated System” são faixas basicamente instrumentais, que apesar de amarrarem devidamente o clima apocalíptico de The 2nd Law, pouco acrescentam ao álbum.

The 2nd Law é um grande avanço em relação a Resistance (2009), seu decepcionante antecessor, mas ainda assim não convence. A insistência do Muse em explorar novos territórios a cada lançamento é louvável, mas é uma pena termos aquele trio interessantíssimo que conhecemos no começo da década de 2000 cada vez mais escondido atrás de tantos sintetizadores, efeitos e batidas eletrônicas. Talvez o destino do Muse sempre tenha sido se tornar uma “banda-robô”, mas um pouquinho mais de humanidade não faria mal.

Nota: 7