Izadora Pimenta
 
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Izadora Pimenta

Izadora Pimenta é editora do Rock’n’beats, site de música e organizador de eventos em São Paulo dos mais bacanas.

Com menos de 20 anos de idade, a moçoila tem mais CDs do que discos de vinil, mas pede pela volta das fitas cassette, que segundo ela são injustiçadas!

Veja logo abaixo o bate papo bacana que tivemos com Iza a respeito de sua coleção de discos, pegar CDs emprestados (que saudades!), o que tem ouvido e muito mais.

TMDQA!: Qual o disco de vinil mais importante da sua coleção?
Izadora Pimenta: Aí vai uma revelação bombástica: eu quase não tenho discos de vinil. O primeiro fator é simples e justificável: eu tenho menos de vinte anos (pra não falar que chego à essa idade neste ano) e quando comecei a me interessar por música de verdade, dominava o CD. O segundo: eu gosto. Tenho vontade de ter mais. Mas ensaio para comprar. Tem alguns que eu desisto de levar no caixa da livraria (o último foi o El Camino, do Black Keys). Acabo não comprando. Tenho só uma vitrola bem castigada, que meu avô usava para escutar os discos dele (ele sim deixou uma coleção de vinis respeitável. De discos de sertanejo de raiz, em grande maioria). Então, por enquanto, nada de muito importante. Mas é um hábito que eu pretendo adquirir no futuro (talvez quando eu deixar de viver a vida de estagiária e não tiver que decidir entre comprar um disco ou três livros – não que eu tenha alguma perspectiva de riqueza com meu diploma de Jornalismo).

TMDQA!: O que você acha da volta dos discos de vinil?
Izadora Pimenta: Acho bem interessante, de verdade. Ouvir um disco de vinil é uma aventura legal, é parar para se dedicar ao álbum de fato, com aquele som que humilha. Eu ainda quero que esse hábito seja mais frequente na minha vida, mesmo.

Mas sabe o que poderia voltar também? Fitas cassetes, essas injustiçadas. Quantas mixtapes já fiz para os amigos? Quantas músicas já não gravei do rádio? Quando eu não tinha internet banda larga, meu tempo era gasto da seguinte maneira: ficar escrevendo debaixo da escrivaninha (mesa pra quê?), ouvindo rádio e gravando as músicas legais. Ou então ouvindo as fitas que eu gravava com CDs que pegava emprestado dos amigos. Aliás, que saudade disso, pegar CDs emprestados…

TMDQA!: Qual foi seu primeiro disco (vinil/CD)?
Izadora: Olha, meu primeiro CD foi um CD da Xuxa. De quando meu avô comprou o primeiro microsystem que tocava CD (e eu jurava que ele tinha um compartimento secreto para discos de vinil, mas não tinha). Eu devia ter uns 6, 7 anos. Achava aquilo um absurdo, CD… ganhei alguns depois, mas um marco foi uma vez que fui à casa do meu tio, ele abriu a gaveta da coleção dele e me deu um álbum do Hole e outro do Garbage. Tinha 12 pra 13 anos. E eu achava a Courtney Love legal.

TMDQA!: Que bandas tem ouvido ultimamente?
Izadora: No time internacional, eu ando ouvindo bastante o The Stars Are Indifferent To Astronomy, do Nada Surf e o Attack On Memory, do Cloud Nothings. Resgatei esses dias também o Pretty. Odd do Panic At The Disco – esse álbum é bom, é de quando eles resolveram tirar aquela exclamação do nome (mas colocaram de volta agora, parece). Nacional, ando curtindo bastante o que vem saindo de novo do SILVA, as estreias do João e Os Poetas de Cabelo Solto e da Cambriana, e difícil de largar também é o Canções de Apartamento, do Cícero. Ah, esses tempos ainda tive uma obsessão estranha pelo Vímana, banda que tinha o Lulu Santos, o Lobão, o Ritchie… mas tem pouca coisa deles na internet e no mundo. Pena.

TMDQA!: Você tem mais discos que amigos?
Izadora: Sim e não. O número dos meus amigos (aqueles que você conta nos dedos) é menor do que o meu número de discos, mas eu não tenho tantos discos assim. Tenho os discos que eu mais gosto, tenho vários discos que ganhei de amigos, de bandas, e ainda tenho aqueles que barganhei em algumas daquelas promoções espertas das Lojas Americanas. Mas eles não devem chegar a 100. É um número vergonhoso para alguém que escreve sobre música, não? haha

TMDQA!: Sendo editora de um blog de música, uma mídia voltada totalmente à Internet, você considera a música digital uma “vilã” para bandas e gravadoras?
Izadora: De forma alguma. Eu defendo totalmente o download livre, ou, ao menos, a música disponível lá, para streaming. Acho que todo artista, principalmente quem está começando, deve enxergar o mundo através desse novo prisma – se atualizar, usar e abusar das ferramentas que estão aí (uma fanpage completa, com informações e áudio nos trinques, é um paraíso que, ao mesmo tempo, é o primeiro passo para abrir mil oportunidades). A internet permite que a sua música seja reverberada de várias formas. Obter lucro com um artista não depende só de vender música. Quem não paga jabá (alô Michel Teló, um beijo), não adianta se ater à velha forma – você só vai fazer shows se te conhecerem por aí, não é?

Claro que sempre existem os contras. Acho que pela sede de ouvir tantas músicas à disposição, as pessoas vão com muita pressa pra cima de tudo. São poucas as que destrincham cada álbum, as que dão segundas e até terceiras chances a um mesmo artista. E eu acho que nós, que decidimos assumir essa bronca, devemos desempenhar esse papel de separar o joio do trigo. A gente ouve muita merda. Mas encontra muito talento também.

O MP3 não é o melhor dos formatos para se ouvir música. Mas, ao mesmo tempo, é prático. Você leva a sua música para qualquer lugar. Escuta a qualquer hora. E quem tem a ganhar com essa liberdade? Os artistas que escutamos, claro.