Otto no Abril Pro Rock 2012
 

Otto no Abril Pro Rock 2012
(Fotos oficiais do Abril Pro Rock 2012)

Resenha por Isabel Cavalcanti, enviada especial do TMDQA!.

Apesar de um final de semana intenso, cheio de programações memoráveis na cidade, parece que ninguém estava a fim de descansar no domingo passado em Recife, e um público grande marcou presença no último dia do festival mais famoso da cidade. O Abril Pro Rock desse ano homenageou três bandas já conhecidas do público recifense: Los Hermanos, Ratos de Porão e Mundo Livre S/A, e comemorou duas décadas de existência com exposições de pôster-arte e sobre a história do próprio festival semanas antes do evento, oficinas de fotografia, produção cultural e ilustração e ações publicitárias, instalações artísticas, lojas de vinil e moda na área destinada ao festival.

Strobo no Abril Pro Rock 2012 Bande Dessinée no Abril Pro Rock 2012

Foi  com a banda pernambucana Dessinée  e  a dupla paraense Strobo que se iniciou a noite do último dia do festival. Strobo esquentou o público ainda bastante reduzido com seu som eletro-instrumental que conta com apenas uma bateria com programações computadorizadas e uma guitarra cheia de distorções e timbres sintéticos. Léo Chermont (guitarra e efeitos) e Arthur Kunz (bateria e programações) surpreenderam boa parte dos presentes não só com sua singularidade, mas também por seu estado de origem, famoso por um ritmo musical tão enérgico quanto o dos rapazes.

Ska Maria Pastora no Abril Pro Rock 2012

Ska Maria Pastora começou logo depois, velha conhecida do público da terra,  o octeto atraiu mais gente para a plateia e despretensiosamente fez a propaganda do seu primeiro álbum Às Margens do Rio Doce, que foi lançado naquela noite (literalmente, diga-se de passagem, pelo trombonista da banda, para a sorte de quem estava mais perto do palco).

Nada Surf no Abril Pro Rock 2012

Mas os destaques da noite só foram mesmo os shows após as 22h. A norte-americana Nada Surf fez um show meio perdido no meio da programação. Agora com a presença de mais dois integrantes: o guitarrista Doug Gillard, do Guided By Voices, e o tecladista e trompetista Martin Wenk, do Caléxico, a banda só levou a alegria de fãs nostálgicos quando tocou velhos hits do cenário indie dos anos 90 como “Popular”, “Always Love”, “Happy Kid” e “Blankest Year”.

Mundo Livre SA no Abril Pro Rock 2012

Mundo Livre S/A,  banda homenageada do festival esse ano, e Otto foram os artistas que fizeram justiça à comemoração dos 20 anos do evento, não só por terem começado suas carreiras dentro dele, tocando na primeira edição do Abril Pro Rock, mas por fazerem parte de toda a aura manguebitiana na qual o Abril foi gerado. O líder da Mundo Livre e um dos criadores do movimento Manguebeat, Fred 04, tocou menos músicas do que se esperava de seu novo trabalho Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa e apostou em músicas da era áurea do seu movimento originário como “Computadores Fazem Arte” e em nossas velhas conhecidas “Meu Esquema” e “Expressão Exata”.

Otto no meio do público do Abril Pro Rock 2012

Tanto Fred como Otto não deixaram de falar sobre a importância do festival para a carreira deles e de relembrar os velhos tempos. Otto estava vestido com uma camiseta com uma estampa de estêncil com símbolos do evento Ocupe Estelita e falou da importância dessa consciência que está sendo criada na cidade sobre questões de mobilidade e desenvolvimento urbano. Carismático e agitado como sempre, Otto desceu do palco, brincou com o público, relembrou seu primeiro show no APR com a música “TV a Cabo” e convidou o cantor Ortinho para cantar “6 Minutos” junto com ele.

Antibalas no Abril Pro Rock 2012

Antes da apresentação de Otto, a frenética Antibalas, com 13 integrantes, veio ao palco parece que para preparar o terreno do que seria o melhor momento da noite. Quem escuta os primeiros momentos da banda, mesmo sem a conhecer, já liga a sua relação com o ritmo afrobeat, consolidado pelo nigeriano Fela Kuti.

Buraka Som Sistema no Abril Pro Rock 2012

E para tomo mundo ir para casa com o sangue quente, o que encerrou a noite de domingo foi a banda portuguesa Buraka Som Sistema, conhecida por misturar a sonoridade do ritmo angolano Kuduro com batidas eletrônicas, sintetizadores, duas baterias e pegadas do hip-hop (o grupo conta com 3 cantores que soltam versos ao solta um ritmo contagiante e pesado). A banda de Portugal convidou meninas para subir ao palco lá pelo meio da apresentação e manteve um público grande até às 2hrs da manhã da segunda-feira, encerrando em ritmo frenético, um final de semana que entrou para a história musical da cidade.